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Crise no Flu tem debates financeiros, renovações travadas e insatisfação

Mudança no pagamento de premiação, permanências indefinidas e focos de queixas se aliam ao futebol ruim e à pressão da torcida e deixam dias tricolores conturbados

Eliminação vexatória na Copa do Brasil, saída do G-4 do Brasileirão e queda evidente de desempenho. A crise chegou às Laranjeiras, como evidenciou o incidente no desembarque da delegação de volta ao Rio de Janeiro. Moedas foram arremessadas, o carro que levava três atletas foi depredado e o restante do grupo teve de esperar por reforço policial para deixar o aeroporto. Irritado, o capitão Fred ameaçou não ir a campo com os colegas domingo, contra o Sport. Mas a bronca dos atletas não é de agora. Há focos de insatisfação no grupo de jogadores, e o mau momento também é reflexo disso. A direção não tem cumprido algumas de suas promessas. Da mudança no pagamento de premiação às renovações travadas, tudo deixa o ambiente mais pesado. Até o técnico Cristóvão Borges, coberto por elogios, tem desagradado jogadores com algumas de suas decisões. Um dos atletas, por exemplo, não tem gostado de ser substituído em quase todas as partidas.


Nesta quinta-feira, o vice de futebol tricolor, Mário Bittencourt, reconheceu que o momento do time é ruim. Segundo ele, lesões e queda de rendimento de alguns jogadores, como Fred, trouxeram a má fase. O dirigente afirmou também que Cristóvão não corre risco de demissão e tem carta branca para tomar decisões. Sobre a interferência de problemas externos, como a mudança no pagamento do bicho e renovações travadas, assegurou que não há qualquer relação com o futebol ruim dos últimos jogos.

A questão financeira, no entanto, é um fator importante neste momento. Não caiu bem entre os atletas a decisão da diretoria de mudar a forma de pagar premiações. Antes do Brasileiro, foi feita a seguinte combinação: até a pausa para a Copa do Mundo, nas primeiras nove rodadas do nacional, os jogadores receberiam o bicho a cada três partidas. Se somassem nove pontos, receberiam R$ 200 mil para dividir entre eles. Em caso de conquistarem sete ou seis pontos, o valor seria um pouco menor. Nenhum valor seria pago em caso de resultado inferior a seis pontos. No período, o time atingiu a meta mínima duas vezes.

O acerto foi feito com o atacante Fred, capitão e porta-voz do grupo. A ideia da direção era pagar tudo no fim do ano, mas o camisa 9 convenceu os dirigentes. O presidente Peter Siemsen e o então gerente geral do clube, Jackson Vasconcelos, desligado recentemente, bancaram a promessa com a esperança de que a Unimed ajudaria com metade do valor após o Mundial, o que não ocorreu. Desta forma, sem dinheiro em caixa foi preciso recuar e acertar o montante em dezembro. Os jogadores não gostaram e ainda tentam voltar ao acordo inicial.

Outro tema gera instabilidade interna: as renovações de contrato emperradas. Nomes de peso do elenco, como Diego Cavalieri, Carlinhos, Diguinho e Gum têm vínculo com vencimento em dezembro de 2014 e ainda não renovaram. Além da negociação com o clube, esses jogadores precisam se acertar com a Unimed. A patrocinadora tricolor é responsável por pagamento de direitos de imagem que correspondem de 50% a 80% do total do salário dos atletas. E é aí que ocorre o impasse. Além de valores, o tempo dos novos vínculos precisa ser resolvido. Cavalieri e Carlinhos, por exemplo, pediram pelo menos mais quatro anos de contrato e aumento salarial expressivo.

O presidente da Unimed, Celso Barros, quer diminuir a duração dos novos contratos. Isso por conta dos questionamentos que sofreu durante o processo eleitoral. Questões financeiras, especialmente a prestação de contas, também foram levantadas pela oposição e associados. Ele foi reeleito no fim de fevereiro e permanecerá no comando da cooperativa de médicos até 2017. Celso fechou a torneira do patrocínio, já que a empresa passa por dificuldades, enfrenta problemas com alguns fornecedores e as cobranças sobre ele são intensas.


No início de 2014, Fred procurou a diretoria e deu um recado. Recomendou que os contratos dos companheiros fossem renovados o mais rápido possível. Alegou que a medida seria importante para que o grupo se concentrasse apenas nas competições. O vínculo dele termina no fim de 2015, o capitão tratou de iniciar as conversas sobre sua renovação ainda em 2013, mas ainda não conseguiu sua ampliação. Em entrevista o presidente Peter Siemsen cobriu o camisa 9 de elogios, ressaltou a condição de ídolo do jogador, mas não garantiu um novo contrato.

A Unimed paga direito de imagem a quase todos os jogadores do grupo principal do Fluminense. Esse contrato de imagem é feito individualmente. A patrocinadora também paga imagem para alguns garotos da base. É o caso daqueles em que tem participação nos direitos econômicos. No contrato entre Fluminense e Unimed fica estabelecido que a parceira tem de investir de R$ 15 a 20 milhões por ano diretamente em contratos de imagem com jogadores. A escolha dos atletas é feita pela cooperativa e quase sempre aquilo que é injetado no clube ultrapassa o teto.


- As negociações andam normalmente. A gente respeita todas as partes, o clube, os jogadores e o patrocinador ? disse o diretor executivo Paulo Angioni. Mário Bittencourt diz que as renovações estão em debate que a demora não atrapalha o desempenho dos jogadores.

- Não vou esmiuçar esse assunto de novo. Os jogadores sabem a posição do Fluminense e do patrocinador. Debatemos internamente. O presidente já passou aos atletas a posição do clube. E o presidente da patrocinadora fez o mesmo. Não interfere. Já foi explicado. É um assunto debatido internamente. Tenho certeza de que não interfere no resultado, no rendimento de campo. Confio demais nesse grupo. É de jogadores que mostraram que têm capacidade de superar qualquer situação.

O bom futebol apresentado pelo Fluminense chegou a render comparações exageradas com a seleção da Alemanha, campeã da Copa no Brasil. Futebol vistoso e eficiente que não se viu nos últimos jogos. Jogadores como Darío Conca e Fred caíram de rendimento. Cristóvão Borges tem o respaldo dos dirigentes. Pelo menos por enquanto. Depois da eliminação na Copa do Brasil, o diretor Paulo Angioni disse em entrevista que começaria a discutir a renovação do contrato com o técnico. O vínculo atual termina no fim deste ano. A ideia é ampliá-lo até o fim de 2016, quando termina o segundo mandato de Peter. Mário Bittencourt reforçou a posição do clube.

Cristóvão é querido pelo grupo, vinha sendo constantemente elogiado, mas não é unanimidade. Há focos de insatisfação com algumas decisões do treinador. Um dos titulares não tem gostado de ser substituído com tanta frequência. A decisão de voltar com Fred ao time mesmo depois de ter conquistado bons resultados sem o atacante foi contestada internamente. Algumas escalações e substituições, além de mudanças no esquema tático, geram críticas.


Cristóvão reconhece que os bons resultados precisam voltar e mantém a tranquilidade. Enquanto isso, aguarda por reforços. Com a lesão de Gum, que não deve mais jogar em 2014, ele pediu a contratação de um zagueiro, mas ainda não foi atendido. O técnico também espera novos atletas para as laterais, já que Bruno e Carlinhos não têm substitutos imediatos, e um atacante de velocidade. Recentemente, o clube falhou ao tentar contratar Wellington Nem. O veterano Magno Alves, destaque do Ceará, foi procurado. As inscrições no Brasileirão terminam em 3 de outubro.



    Fonte: Richard Souza / GloboEsporte.c
    Foto: Fernando Cazaes
    Edição: Walter F. Fontenele / Portalph
    Postada dia 22/08/2014 às 08:50