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Parnaíba na Contra Mão



Quando eu digo que Parnaíba é uma cidade diferente, não apenas por suas belezas naturais, mas pelo comportamento dos seus cidadãos, principalmente no tocante a falta de AMOR e cuidado com sua terra natal... Aqui as coisas acontecem e parece não incomodar absolutamente ninguém, todo mundo faz o que quer e como bem quer com as áreas publicas – ruas, praças, avenidas, patrimônio histórico e natural – e ninguém parece se incomodar com isso, é como se não fosse com a nossa QUERIDA, AMADA e INVICTA PARNAÍBA – é assim que gostamos de nos referir à PRINCESA DO IGARAÇU

Igaraçu que vai receber os dejetos da rede de esgoto da vizinha cidade de ILHA GRANDE e ninguém faz nada para impedir este crime.

Igaraçu que tem sua margem direita protegida por uma mureta de concreto para impedir que no período das cheias suas águas invadam a cidade causando destruição e calamidade como antigamente. Pois bem esta mureta foi deliberadamente posta abaixo para uma suposta obra de revitalização da BEIRA RIO que até hoje não saiu do papel e ninguém diz nada.

Igaraçu que tinha suas águas singradas pelo luxuoso IATE ANTARES em belos passeis ao DELTA DO RIO PARNAÍBA, até que veio um governador que resolveu vende-lo por um décimo do valor que havia custado e ninguém fez nada para impedir.

Igaraçu que num passado não muito distante era a principal via de transporte de cargas e passageiros até o Porto das Barcas em Parnaíba.

E por falar em BARCAS, era em DOCAS com piso rebaixado instaladas na beira do rio no Porto das Barcas e no Porto Salgado que as grandes embarcações da época eram “encostadas” para que fosse feitos reparos. No Brasil inteiro existem apenas 6 (seis) construções desse tipo, das quais 2 (duas) estão na margem do rio Igaraçu. Aqui mais uma vez, Parnaíba deu uma demonstração de que anda numa espécie de “contra mão” da humanidade, pois em qualquer lugar do mundo onde existe soterrado, esquecido e encoberto um vestígio de uma civilização ancestral ou de uma construção que tenha o mínimo de valor histórico e cultural o que se costuma fazer é se escavar, desenterrar e descobrir isto para que as gerações atuais e futuras possam contemplar e tomar conhecimento do que aquilo foi no passado. Aqui na Parnaíba é ao contrário: se está abandonado e esquecido, mesmo assim ainda está exposto, vamos enterrar para que ninguém veja. É o que foi feito com uma das DOCAS existente na margem do rio Igaraçu que foi aterrada e hoje é um terreno baldio que “enfeia” a orla do rio.

Igaraçu que tinha em seu cais até bem pouco tempo atrás um dois maiores entrepostos comerciais do Nordeste. Lá aportavam embarcações vindas de todos os cantos do mundo trazendo produtos manufaturados e na volta levavam para a Europa couro e charque produzidos nas ricas fazendas do baixo Parnaíba e produtos de origem vegetal como o jaborandi, fava d’anta, castanha de caju e a exclusivíssima CERA DA CARNAÚBA, produto genuinamente Parnaíbano, tendo inclusive aqui instalada a PRIMEIRA FÁBRICA DE INDUSTRIALIZAÇÁO DA CERA DE CARNAÚBA DO MUNDO.

Para estocar tanta mercadoria foram construídos grandes armazéns margeando o leito do rio Igaraçu. Ao longo do tempo com a decadência do transporte áquaviario e com a substituição de produtos naturais por compostos sintéticos tudo isso perdeu sua importância econômica e entrou em um processo penoso de desuso, ficando abandonado por muito tempo. Mas tivemos um prefeito que foi sensível quanto à preservação desse PATRIMÔNIO HISTÓRICO para nossa INVICTA PARNAÍBA e comprou para o município aqueles armazéns e a antiga fabrica da Cera de Carnaúba para serem restaurados e transformados em MUSEUS, TEATROS e ambientes que, de alguma forma, resgatassem para a cidade a importância daquelas construções no passado. Mas não foi o que aconteceu! O prefeito seguinte simplesmente não deu prosseguimento ao projeto e nem mesmo cuidou para que aquele importante conjunto arquitetônico, pelo menos, fosse preservado com sua estrutura original, ou seja, não deixasse CAIR. Pois foi o que aconteceu! A fabrica de CERA DE CARNAÚBA caiu, só restando de pé a imponente chaminé que também não demora vai tombar podendo, inclusive, causar uma tragédia aos transeuntes... E hoje, é mais um terreno baldio na área turística de nossa cidade. Os ARMAZENS da margem do riu Igaraçu, infelizmente, também não tiveram fim diferente: Todos foram depredados, demolidos e saqueados por vândalos que retiraram toda a estrutura do teto e suas telhas COLONIAS para vender ou simplesmente trocar por drogas. Hoje, é uma boca de fumo que serve a todo tipo de DEGRADAÇÁO HUMANA – prostituição, drogas, crimes - um triste testemunho do descaso de nossas autoridades para com a nossa história, nosso povo e com a INVICTA PARNAÍBA. E ninguém fez nada para impedir tamanha irresponsabilidade.

Eu poderia escrever um texto com pelo menos umas dez páginas sobre a inercia de nossos cidadãos em reclamar sobre aquilo que lhe é de DIREITO e OBRIGAÇÁO e da falta de compromisso e descaso de nossas autoridades com a nossa cidade de um modo geral, mas, principalmente no aspecto histórico cultural. Faltou falar das praças; do antigo mercado de frutas do centro; da Estrada de Ferro; do Ginásio Parnaíbano, etc, etc... Mas resolvi me deter apenas na tragédia que se abateu sobre os prédios e construções históricas existentes – agora inexistentes – na margem do rio Igaraçu. Isto porque no ultimo dia 14 de março de 2014 me deparei com mais uma dessas coisas que parecem só acontecer em nossa INVICTA PARNAÍBA. Tenho minha empresa situada no lado esquerdo do PORTO DAS BARCAS, como de costume sempre saio do escritório e vou até a calçada tomar um ar fresco. Ao fazer isto, me deparo com uma CENA TRISTE: Ao olha sobre o telhado dos antigos casarões do PORTO DAS BARCAS – para quem não sabe este complexo histórico fica na margem do rio Igaraçu - vejo alguém cortando as ultimas palhas de um frondoso coqueiro de aproximadamente 20 metros de altura que existe na área interna do Porto das Barcas a pelo menos 75 anos e que já faz parte da paisagem do lugar, sendo inclusive bastante fotografado por ser uma das poucas palmeiras ali existente. Imediatamente peguei minha máquina de fotografar e fui até lá saber quem tinha autorizado tamanha idiotice. Ao chegar lá olho para o coqueiro já sem nenhuma palha e com um jovem “trepado” no topo do caule e ainda com a arma do crime na mão (FOTOS). Embaixo, orientando tudo, sobre palhas e cocos espalhados pelo chão, estava uma senhora que é CONCESSIONÁRIA – eu disse concessionária e não DONA como se acham os ocupantes das lojas do PORTO DAS BARCAS, que pertence de fato ao ESTADO DO PIAUÍ e que é cedido em comodato à ASSOCIAÇÁO COMERCIAL DE PARNAÍBA – ACP que administra todo o complexo. Então perguntei a ela quem havia autorizado o corte do coqueiro? Ela já em tom agressivo respondeu enfaticamente fui eu, por quê?

Este é mais um caso que só acontece em terras da Parnaíba... Qualquer pessoa que tenha um mínimo de sensibilidade sabe que um coqueiro ou qualquer outra árvore não se corta, mutila ou derruba se não for por um motivo em que não tenha outra solução. Se formos aqui do lado na praia de Barra Grande ou até mesmo em Jericoacoara entre outras tantas praias que se tornaram turísticas e que foi inevitável à expansão imobiliária veremos que ao se construir qualquer edificação e que por ventura exista um coqueiro no caminho o que se faz é deixar uma abertura no teto para o coqueiro continuar crescendo rumo ao céu.
Moral da história: Quando eu digo que PARNAÍBA anda na contra mão do restante da humanidade e que aqui só acontecem coisas que só se passam por aqui e em nenhum outro lugar do mundo, sou taxado de chato, reclamão e outros adjetivos. Não sou natural de Parnaíba, mas tenho AMOR, RESPEITO, PREOCUPAÇÁO com está que considero A MINHA CIDADE – quando me perguntam de onde sou, respondo sem titubear: PARNAÍBA – PIAUÍ! E é exatamente este amor, esta preocupação com a cidade que escolhi para viver e constituir família que me leva a ser CRITICO e às vezes até CONTUNDENTE sobre as COISAS QUE SÓ ACONTECEM AQUI. Mas principalmente sobre a falta de interesse dos nossos conterrâneos para com os problemas da cidade. ACORDA PARNAÍBA!


Quando eu digo que NINQUEM FEZ NADA, não me incluo, pois no caso da DOCA aterrada eu protestei; no caso do IATE ANTARES fui, na época, a uma emissora de rádio e protestei; no caso da destruição dos casarões e armazéns da beira do rio fui até uma emissora de TV e protestei – o vídeo esta no YOU TUBE; no caso do esgota da Ilha Grande também protestei. Agora no caso do coqueiro do Porto das Barcas estou entrando com uma denuncia na SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE DO MUNICÍPIO. Todos estes protestos não deram em nada a não ser ter “criado” alguns inimigos – que não me farão diferença na minha vida. MAS FIZ A MINHA PARTE! Talvez se isto fosse feito em coro teria algum resultado positivo.

NOTA: Este texto não é uma critica explicita nem velada a atual administração municipal que pelo que tenho acompanhado vem enfrentado problemas críticos e históricos de nossa cidade, tendo a coragem de colocar o dedo na ferida e encarar sem medo a opinião contraria de uma parcela muito pequena da população. Inclusive fiquei sabendo por fontes não oficiais que estão em fase de estudos alguns projetos para recuperação e revitalização de alguns dos prédios citados no texto.

Se você teve a paciência e delicadeza de ler este texto até o fim – acho que poucos farão – PARABÉNS, VOCÊ SE IMPORTA COM A NOSSA QUERIDA e INVICTA PARNAÍBA.
JOAQUIM VIDAL - JOCA
PARNAÍBA – PIAUÍ, 15 de março de 2014

    Fonte: Joca Vidal
    Foto: Joca Vidal
    Edição: Walter F. Fontenele/PortalPhb
    Postada dia 19/03/2014 às 15:44