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Carta aberta ao Mano Menezes

Caro Mano,

Vou te explicar algumas coisas que, talvez, você não tenha entendido até hoje. Quando o Flamengo te contratou, após ser chutado da seleção, estava ali, bem à sua frente, uma clara chance para você se reerguer. O clube assumiu uma postura austera durante o ano e, veja só, arriscou sair um pouco dessa linha por confiar em você.

Um time fraco, com claras limitações técnicas e um ou outro jogador capaz de fazer a diferença. Trouxeram alguns jogadores que você pediu, outros não, mas você sabia em que buraco estava se metendo. Ainda assim, era um time para meio de tabela. E um time que evoluiu com o seu trabalho, não vamos negar isso. Você ajeitou um pouco a casa, foi criando uma relação com a torcida que, até então, gostava de você e te apoiava, mesmo após derrotas humilhantes para Bahia e Corinthians.

Então veio o fatídico jogo. Uma virada inacreditável, perante os olhares incrédulos da Nação. Depois, você se mandou. Sem explicações, sem declarações, simplesmente se escondeu e disse que depois explicaria. E explicou, numa nota oficial no seu site, tão vazia e covarde quanto a postura que você adotou. Você não abandonou um time. Abandonou uma causa, desmerecendo aqueles que durante três meses você só elogiou. Tudo da boca para fora. Enganou torcedores e dirigentes que apostaram em você como herói. E quem não gostaria de ser herói de uma Nação, Mano?

Se houve alguma situação que fez você desistir, por que não falou? Afinal, bastava dizer o que havia se passado e, caso tivesse razão, aposto que todos te entenderiam. Mas tudo bem, você tomou sua decisão, pediu as contas e foi se esconder por aí. E ficou a espreitar o que acontecia. Negue. Diga não mil vezes, mas aposto que, lá no fundo, você torceu contra esse time, contra os jogadores que “não assimilavam o que você queria passar”. Imagine só, aquele bando de pernas de pau campeões de alguma coisa.

Aí chegou o Jayme, cria da casa, entendedor de Flamengo e mostrou para você, ex-técnico de seleção brasileira, como se faz um time de desacreditados jogar bola. Não um primor, nenhum carrossel fantástico ou mirabolante. Apenas futebol, na sua mais simples forma.

Resgatou um jogador que você nem queria, e o cara fez um dos gols mais importantes do ano. Ajeitou uma coisinha aqui e ali e, pronto, varreu da Copa do Brasil quatro dos cinco primeiros colocados do Brasileirão. Para fechar com chave de ouro, e com você se rasgando por dentro, foram campeões logo contra quem fez você fugir como um rato, o Atlético Paranaense.

Mano, querido, preciso te dizer que o futebol é cheio dessas surpresas? Acredito que não.

Ah, e para não esquecer, gostaria de terminar essa carta te agradecendo em nome da Nação Rubro-Negra. Você bem que tentou ser o vilão, mas sua máscara caiu. Agora todos sabemos o verdadeiro, e covarde, herói que você é. Afinal, se você ainda estivesse lá, garanto que nada disso teria acontecido.

Abraços.

    Fonte: Leandro Lainetti/ do
    Foto: Alexandre Vidal/ Fla
    Edição: Walter F. Fontenele/PortalPhb
    Postada dia 29/11/2013 às 22:15