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Roteiro TurÁ­stico: Delta do Rio ParnaÁ­ba

O PiauÁ­ Á© um Estado privilegiado por Deus e bonito por natureza. Para todos os cantos que olhamos encontramos belÁ­ssimos pontos turÁ­sticos de rara beleza. Alguns muito bem cuidados e conservados, outros, infelizmente nem tanto. Um desses pontos turÁ­stico ainda pouco visitado pelos prÁ³prios parnaibanos, Á© o nosso Delta do Rio ParnaÁ­ba.

A convite de um grupo de amigos, resolvi fazer a minha primeira excussÁ£o pelos labirintos de rios, igarapÁ©s e pequenas ilhas do Delta do Rio ParnaÁ­ba. A natureza que margeia esse labirinto fluvial Á© de rara beleza, formada principalmente por vegetaÁ§Á£o nativa da regiÁ£o e mangues, de onde muitos ribeirinhos retiram seus sustentos.

O Passeio tem inicio no Porto dos Tatus de onde saem Á  maioria das embarcaÁ§Áµes pequenas, mÁ©dias e grandes, de vÁ¡rias empresas diferentes, que proporcionam um dia inesquecÁ­vel, principalmente para os turistas que nÁ£o estÁ£o acostumados com o que lhes espera.

A empresa em que nÁ³s embarcamos nesse passeio foi a Igaratur Turismo, que nos proporcionou alÁ©m das belas paisagens, uma pequena aula da histÁ³ria, nÁ£o sÁ³ do Delta do ParnaÁ­ba, bem como da cidade de ParnaÁ­ba. Destacar tambÁ©m a trilha musical composta por artistas Nacionais e Internacionais, e principalmente dando espaÁ§o Á  divulgaÁ§Á£o dos nossos artistas como: Aline Barcelar, Soraya Castelo Branco, TeÁ³filo dentre outros.

Um Pouco de HistÁ³ria


“Perdido por dezesseis anos Á  cata de um tesouro que teria ido a pique nos porÁµes de seu navio, o navegador portuguÁªs Nicolau de Resende achou uma outra riqueza inesperada chamada Delta do Rio ParnaÁ­ba. Salvo pelos Á­ndios tabajaras, ele enviou uma carta ao rei de Portugal enaltecendo a incrÁ­vel e exÁ³tica beleza do lugar, fazendo consideraÁ§Áµes sobre quanto tempo essas riquezas ficariam resguardadas do avanÁ§o do homem.

SÁ©culos depois o Delta do ParnaÁ­ba continua tÁ£o belo e majestoso como naquele longÁ­nquo dia. Formado por 85 ilhas numa Á¡rea de 2700 km² entre os estados do PiauÁ­ e MaranhÁ£o o Áºnico delta das AmÁ©ricas Á© um fenÁ´meno raro que sÁ³ encontra par no Rio Nilo, na África e no Rio Mekong na Ásia.

Nascido na Chapada das Mangabeiras, o Rio ParnaÁ­ba (chamado pelos poetas de "Velho Monge"), que sÁ³ perde em tamanho no Nordeste para o SÁ£o Francisco, Á© o protagonista desse espetÁ¡culo. Com 1458 km, encerra sua jornada pomposamente no Oceano AtlÁ¢ntico, mas nÁ£o sem antes rasgar a terra numa arte furiosa, criando um labirinto de rios, igarapÁ©s, ilhas e ilhotas na forma invertida da letra grega delta.

Diante de toda essa singularidade, o Delta reserva ainda mais surpresas. Dentro de um mesmo ecossistema ele encerra diferentes e pitorescas paisagens: rios, lagoas, dunas gigantescas, banhados, praias desertas de areia branquÁ­ssima e os vÁ¡rios tipos de mangue da regiÁ£o. Á‰ como se pudÁ©ssemos apreciar em um sÁ³ lugar as vÁ¡rias faces do nosso imenso paÁ­s.”

O passeio ao Delta do ParnaÁ­ba, confesso, Á© um exercÁ­cio de paciÁªncia, devido Á  velocidade empregada pela embarcaÁ§Á£o, mais que nÁ£o chega a ser cansativo, pois a natureza exuberante que nos rodeia Á© um motivo para apreciaÁ§Á£o e principalmente para reflexÁµes.

Nossa primeira parada, depois de quase duas horas de navegaÁ§Á£o, Á© na foz do Rio ParnaÁ­ba, na divisa do PiauÁ­ com O maranhÁ£o, na Ilha dos Poldros. Na Ilha o turista pode, alÁ©m de apreciar as belezas naturais, tendo ao fundo a Usina EÁ³lica da Pedra do Sal, dar um mergulho refrescante no encontro do Rio ParnaÁ­ba com o mar. O banho requer certos cuidados, principalmente com as crianÁ§as. Á‰ hora de aproveitar o privilegio de um bom mergulho em uma praia quase deserta. Os que nÁ£o gostam do banho, poderÁ£o fazer uma longa caminhada, ou simplesmente sentar-se na areia ou dentro das vÁ¡rias piscinas naturais represadas pela natureza. O apito forte da embarcaÁ§Á£o nos diz que Á© hora de seguirmos viagem rumo a nossa segunda parada nas dunas do Morro Branco.

No retorno ao barco, jÁ¡ podemos sentir aquele cheirinho de comida no fogo. No cardÁ¡pio, como nÁ£o poderia ser diferente, peixe tÁ­pico da regiÁ£o e caranguejo uca, que serÁ¡ preparado para nossa segunda refeiÁ§Á£o do dia.

O ponto alto do passeio Á© o retorno da Ilha dos Poldros com destino as dunas do Morro Branco, passando por um verdadeiro labirinto de igarapÁ©s, onde a habilidade do condutor da embarcaÁ§Á£o Á© posta Á  prova. Nessas muitas curvas que o Rio faz, fica difÁ­cil escolher para quais dos dois lados olharmos. Á‰ possÁ­vel encontrar com atÁ© certa facilidade, o caranguejo vermelho, e atÁ© mesmo tocar na vegetaÁ§Á£o, de tÁ£o prÁ³ximo que fica o barco da margem do igarapÁ©.

Nesse percurso podemos ainda constatar que a vida dos ribeirinhos, mesmo num domingo, segue ao ritmo alucinado de suas canoas, que devido Á  modernidade, a grande maioria delas ganhou um empurrÁ£ozinho de um motor a diesel.

Homem Lama

Quem disse que no Delta do Rio ParnaÁ­ba nÁ£o existe arte? Em determinado momento, podemos sentir a embarcaÁ§Á£o parando e encostando literalmente na margem do rio, onde Á© possÁ­vel para alguns, atÁ© mesmo meter a mÁ£o na lama, e sentir como deve ser dura Á  vida das pessoas que ganham Á  vida retirando o sustento de suas famÁ­lias dos mangues.

De repente o nosso guia comeÁ§a a falar de uma visita inesperada de um tal homem lama. Todos, sem exceÁ§Á£o, ficam naquela apreensÁ£o e olhando para todos os lados na tentativa de identificar tal criatura. A espera Á© curta, pois sem que nos dÁ©ssemos conta, o homem lama aparece saindo de dentro do mangue, trazendo em suas mÁ£os dois caranguejos, e antes de seguirmos viagem, ele fala um pouco sobre o crustÁ¡ceo tÁ­pico do nordeste. Na verdade, o homem lama Á© um dos marinheiros de nossa embarcaÁ§Á£o, que aproveita a oportunidade para ganhar um a mais com a sua atuaÁ§Á£o cÁªnica.

Dunas Morro Branco

Á€ tarde avanÁ§ar e Á© chegado o momento de nossa segunda e ultima parada do passeio. Nas dunas do Morro Branco, algumas com atÁ© 40 metros de altura, o turista pode, alÁ©m Á© lÁ³gico de outro refrescante mergulho no rio, ainda fazer uma caminhada pelas dunas, e aproveitar para apreciar mais do alto a natureza exÁ³tica e exuberante do local.

Quase sete horas depois da partida do Porto dos Tatus, na curva que o rio faz, podemos novamente avista o nosso ponto de partida, avisando-nos que nosso passeio pelo Delta estÁ¡ no fim. Para finalizar nossa estada dentro da embarcaÁ§Á£o, nosso guia e condutor realiza mais uma prece, dessa vez de agradecimentos a Deus, nÁ£o sÁ³ por termos voltados com seguranÁ§a, mais pelo o presente que ele nos concedeu.

    Fonte: Portalphb,com.br
    Foto: Walter F. Fontenele
    Edição: Walter F. Fontenele/PortalPhb
    Postada dia 11/05/2013 às 21:56