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O suicídio na Visão Espírita

Segundo Francisco Aranda Gabilian, ``Dar cabo à própria vida, abrir mão de todas as possibilidades, por uma possível paz, é o caminho que muitos seguem, de forma consciente ou não; mas, ao invés de se mostrar uma solução, transforma-se num longo caminho de dor, sofrimento e libertação``.


A Doutrina Espírita, sendo uma Doutrina cristã, condena todo e qualquer tipo de crime por ser eles contrários as Leis de Deus. Dentre esses crimes o que traz mais conseqüências danosas para o espírito é o ato de tirar sua própria vida, o Suicídio.

Para nós que estudamos há anos a Doutrina Espírita, e até palestramos algumas vezes sobre o tema, os constantes casos de suicídio em Parnaíba são preocupantes, ainda mais quando os suicídios são divulgados de forma vulgar que, mesmo sem intenção, essas divulgações tornam-se um tipo de apologia para outros casos do gênero.

Uma vez, em uma de minhas palestras, fui indagado sobre o que eu achava do suicida. Seria ele um covarde ou um corajoso? Na verdade o suicida não é nem uma coisa nem outra, muito menos uma pessoa fraca de mente, louco, ignorante e outros adjetivos do gênero. O principal corpo dessa complexa estrutura, que é o Ser Humano, é o nosso corpo espiritual, conhecido de muitas culturas há milênios, e denominado por Kardec com o nome de Perispírito. A ciência materialista ainda está longe de conhecer todas as nossas doenças patológicas o que dirá das nossas doenças espirituais. Portanto, não vamos nos deter em tentar descobrir porque uma pessoa deu cabo de sua própria vida, e sim, falar das conseqüências desse ato na continuação de sua vida espiritual e de suas próximas encarnações.

Kardec já nos ensinou em, o Livro dos Espíritos, sobre as conseqüências do suicídio. Sabemos hoje que não são as mesmas, não existe uma generalidade, pois cada caso é um caso. Mais uma das conseqüências comum a todos os suicidas é a sensação de um profundo desapontamento, afinal de contas, à vida continua, e em vez de fugir dos problemas, eles serão potencializados com o suicídio.

Através de mais de 150 anos de história da Doutrina Espírita, muitas mensagens e livros contam como é a vida no mundo espiritual. Um dos mais celebre escritores foi Chico Xavier, que através de sua mediunidade ajudou a difundir a Doutrina e a consolar corações por onde passou. Em muitos dos relatos psicografados por Chico, existem inúmeros enviado por suicidas, voluntários ou involuntários, contando de suas decepções e de suas dores no além tumulo. Dentre esses o mais famoso de todos foram os relatos que originou o livro, e posteriormente o filme ``Nosso Lar``.

Portanto, todos nós, espíritas, católicos, evangélicos, ateus, umbandista ou de outra crença qualquer, temos o dever de combater e ajudar a diminuir o número de suicídios em nossas comunidades. Nós como família, como professores ou simplesmente como amigos, devemos está atento aos pedidos de socorro, mesmo que inaudível, que os potenciais suicidas nos dão. Não devemos chamar uma pessoa que tenta praticar o suicídio de ignorante, pois estaremos faltando com a caridade, além de estarmos sendo levianos querendo julgar algo que não conhecemos ou entendemos em toda sua profundidade e complexidade.


O suicida é antes de qualquer coisa ou denominação, uma pessoa que está precisando de ajuda e não de lição de moral.

Existe uma estatística alarmante sobre as pessoas potencialmente suicidas. Vamos a elas:

- O ditado, ?cachorro que ladra não morde?, no caso do suicida não funciona. Segundo levantamentos, a grande maiorias das pessoas que falavam em cometer suicídio, realmente o fizeram;

- A grande maioria das pessoas que tentaram suicídio uma vez e não obtiveram êxito voltaram a tentar novamente;

- A maioria dos suicídios ocorre quando a pessoa começa a melhorar de uma outra tentativa, ou saindo de um estado depressivo grave. Por isso o sinal de alerta deve ficar sempre acesso.

Como Ajudar


- Não tente resolver o problema sozinho. Procure ajuda especializada;

- Seja direto, não faça rodeios, fale abertamente sobre o tema;

- Seja um bom ouvido. Seja paciente;

- Não julgue. Não discuta se o suicídio é certo ou errado e, principalmente, não dê lições de moral, ou tente parecer superior;

- Tome atitudes. Fique alerta sempre ? remova de casa qualquer objeto que possa ser usado para praticar o ato.


O espiritismo mostra que embora o suicídio seja um crime, e um crime muito sério, com conseqüências bastante penosas, o suicida não vai parar em nenhum fogo do inferno e muito menos ficar perambulando por anos a fios ou por toda a eternidade.


Por mais tribulações que tenham de passar, todos podem melhorar, o arrependimento sincero do próprio espírito e a ajuda das orações dos que lhe querem bem, é o início de um processo de correção moral que levará à felicidade futura.

Lembremos que, a principal função do espiritismo, não são as manifestações, o intercâmbio entre os dois mundos, e sim procurar levar o homem a sua felicidade moral, ajuda-lo a conseguir realizar a sua reforma intima.

O espiritismo não quer ser a verdade absoluta e nem criar prosélitos convertendo pessoas de outras crenças em espíritas. Seja feliz naquela religião que você abraçou. Você é feliz sendo evangélico(a)? Porque procurar outra religião? Viva e deixe viver. Se alimente dos alimentos espirituais e seja uma pessoa melhor. Foi isso que nos disse os espíritos venerandos da codificação na questão nº. 842 de o Livro dos Espíritos:


842. Por que indícios se poderá reconhecer, entre todas as doutrinas que alimentam a pretensão de ser a expressão única da verdade, a que tem o direito de se apresentar como tal?

``Será aquela que mais homens de bem e menos hipócritas fizer, isto é, pela prática da lei de amor na sua maior pureza e na sua mais ampla aplicação. Esse o sinal por que reconhecereis que uma doutrina é boa, visto que toda doutrina que tiver por efeito semear a desunião e estabelecer uma linha de separação entre os filhos de Deus não pode deixar de ser falsa e perniciosa.``

Fonte: Walter F Fontenele / Portalphb
Foto: Divulgação
Edição: Walter F. Fontenele/PortalPhb
Postada dia 20/05/2015 às 16:25